Maria Letícia Ferraretto

Rabdomiossarcoma – Canoas – RS

Durante a gestação da minha filha comecei a sentir um incômodo no céu da boca. Após o nascimento dela, quando pude de fato investigar o que poderia ser, recebi a pior notícia do mundo. Um palavrão na minha biópsia: rabdomiossarcoma de células fusiformes. Uma rápida pesquisa no Google e descobre-se que esse câncer, embora comum em crianças, é raríssimo em adultos. Eu tinha 27 anos na época. Hoje, após um ano e meio, duas cirurgias (uma maxilectomia parcial para retirar o tumor primário e um esvaziamento cervical para retirada da metástase nos linfonodos), 30 sessões de radioterapia, 5 ciclos e meio de quimioterapia (meio pq tive neutropenia febril e o médico achou prudente encerrar ali as quimios) e quatro internações hospitalares, além de muitos exames de imagem, sangue e urina, vejo o quanto fui forte e espero servir de inspiração para muitos.
Não é fácil receber o diagnóstico, muitas vezes procuramos um culpado. Eu creio que não há culpados pela doença, mas nós somos os responsáveis pela nossa cura. É preciso ter fé, seja no que for, mas, é preciso preciso, principalmente, confiar na equipe que nos trata e, por fim, acreditar em nós mesmos e na nossa força. Resiliência acima de tudo.